HOMENAGEM AS VÍTIMAS DO VOO AF 447



A Viagem
Nossa vida é como uma viagem de trem,
cheia de embarques e desembarques
de pequenos acidentes pelo caminho
de surpresas agradáveis com alguns embarques
e de tristezas com os desembarques...

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem,
encontramos duas pessoas que,
acreditamos que farão conosco
a viagem até o FIM:
nossos pais.

Não é verdade.
Infelizmente, em alguma estação,
eles desembarcam, deixando-nos
órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto.

Mas isso não impede que, durante a viagem,
embarquem pessoas interessantes
que virão ser especiais para nós:
nossos irmãos, amigos e amores.

Muitas pessoas
tomam esse trem a passeio.
Outras fazem a viagem
experimentando somente as tristezas.
E no trem há, também, outras que passam
de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa.

Muitos descem e deixam saudades eternas.
Outros tantos viajam no trem de tal forma que,
quando desoculpam seus assentos,
ninguém sequer percebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são
tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso.

Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso
não nos impede de, com grande dificuldade,
atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles.
O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado,
pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.

Éssa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos,
fantasias, esperas, embarques e desembarques.
Sabemos que esse trem jamais volta.

Façamos essa viagem da melhor maneira possível,
tentando manter um bom relacionamento com todos,
procurando em cada um, o que tem de melhor,
lembrando sempre que,
em algum momento do trajeto poderão fraquejar,
e, provavelmente, precisaremos entender isso.

Nós mesmos fraquejamos algumas vezes.
E, certamente, alguém nos entenderá.

O grande mistério

é que não sabemos em
qual parada desceremos.

E fico pensando:
quando eu descer desse trem, sentirei saudades? Sim.

Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste.
Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor
da minha vida, será para mim dolorido.

Mas me agarro na esperança de que,
em algum momento estarei na estação principal,
e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem,
que não tinham quando embarcaram.

E o que me deixará feliz, é saber que
de alguma forma, eu colaborei para que
essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.

Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade
para que embarquem e desembarquem pessoas.
Minha expectativa aumenta
à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade...

Quem entrará? Quem saírá?

Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem,
não só como a representação da morte, mas, também,
como o término de uma história,
de algo que duas ou mais pessoas construíram
e que, por um motívo ínfimo, deixaram desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós,
têm a capacidade de reconstruir para recomeçar.

Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver,
é tirar o melhor de "todos os passageiros".

Agradeço muito, por você fazer parte da
minha viagem, e por mais que
nossos assentos não estejam lado a lado,
com certeza o vagão é o mesmo.




 

 

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